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AÍLSON BRAGA, DIRETOR DO SISTEMA DE TEATROS


          Ailson Braga é ator, diretor, escritor, dramaturgo e jornalista. Ocupa atualmente a diretoria do Sistema Integrado de Teatros da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). Faz teatro desde 1974 em Belém do Pará, e trabalhou com os diretores paraenses: Henrique da Paz, Luiz Otávio Barata, Zélia Amador de Deus, Adriano Barroso, entre outros. Atuou em mais de 30 espetáculos. Em televisão faz comerciais desde 1981 e trabalhou em campanhas políticas do Partido dos Trabalhadores para Edmilson Rodrigues, Ana Júlia Carepa e Maria do Carmo.

Apesar de atuar em Belém (PA), o artista teve passagens por João Pessoa (PB) (1985), onde trabalhou com Fernando Teixeira, ator, diretor e dramaturgo; atuou em São Paulo, entre os anos de 1992 a 1996, sob a direção de Robert McCrea, Carlos Palma, Flávio Costa e Marcello Costa.

Em teatro ganhou prêmios de melhor ator no Festminas 1998 e melhor ator em 1991 pela Fesat. Em cinema fez os filmes "Araguaya - conspiração do silêncio", de Ronaldo Duque; "Andar às vozes ou Sob o sol do meio-dia" (inédito) de Eliana Caffé, o DOC-TV "Chupa-Chupa - a história que veio do céu" (2007), dirigido por Roger Elarrat e Adriano Barroso, além dos curtas "Vernissage", de Roger Elarrat, e "Enquanto chove", filme de Alberto Bitar e Paulo Almeida, baseado no livro homônimo de autoria do próprio Ailson Braga. O livro "Enquanto Chove" é resultado da bolsa-prêmio de literatura do ano de 2002 do Instituto de Artes do Pará.

Escreveu o texto "A peleja dos soca-socas João Cupu e Zé Bacu", montado pelos grupos In Bust e Grupo Gruta de Teatro, ambos de Belém do Pará. Ministrou oficinas de teatro pela Fundação Curro Velho e de literatura pelo Instituto de Artes do Pará.

 

Por que você aceitou o cargo de diretor do SIT?

 

Estava diante de uma oportunidade nova de promover políticas públicas para o uso dos teatros no Pará. Por isso, em 2007, assumi a direção do Sistema. Na realidade, o SIT já existia no papel antes da gestão da governadora Ana Júlia, mas foi através deste governo que ele passou a atender mais eficientemente a categoria artística do Estado. O edital de pautas, por exemplo, torna mais democrático o acesso de grupos e artistas aos equipamentos teatrais públicos da cidade, já que em determinadas datas, os artistas têm isenção para utilizar esses espaços, com um calendário todo unificado e com critérios mais claros sobre como e onde o artista ou grupo pode colocar seu espetáculo. O edital é uma das prioridades do SIT. Outros dois importantes projetos foram criados em 2008: o Cena Interior, pensado e coordenado por Yeyé Porto, gerente de Artes Cênicas do SIT, e o Festival Brasileiro de Artes cênicas, que deve ter sua segunda edição em 2009. 

 

Qual o objetivo do Cena Interior?

 

O objetivo é montar espetáculos nos municípios paraenses sob a coordenação artística de um diretor, incentivando a produção local, a troca de saberes e experiências e a qualificação artística das pessoas desses municípios. Durante um período, que varia entre três e quatro meses, um diretor artístico, sugerido pelos artistas de cada município ou escolhido pelo SIT de acordo com a realidade da cidade escolhida. Esse diretor escolhe uma equipe que ministra – junto com ele - oficinas sobre interpretação, figurino, luz e toda a logística para se montar um espetáculo. Ao final a peça é apresentada naquela cidade, fica como repertório dos artistas que fizeram parte dela e a idéia também é trazer os resultados desses processos iniciados pelo projeto para serem apresentados em Belém. O Cena Interior tenta levar aos municípios novas rotinas de trabalho que, geralmente, eles não possuem, ou seja, a dar uma maior profissionalização a atores e técnicos. A Secult oferece o projeto, paga os profissionais envolvidos e há uma busca de parceiras com as prefeituras na questão da infraestrutura e do local onde a produção será executada. É importante destacar também que todas essas oficinas, todo o processo é gratuito para os artistas das cidades envolvidas no projeto.

 

Em quantos municípios o projeto já foi realizado?

 

Em 2008, foram quatro municípios. Santarém, Igarapé-Açu, Barcarena e Bragança. Cada um escolheu a sua área de interesse, como o tipo de produção teatral. Em Igarapé-Açu, por exemplo, os atores escolheram trabalhar com teatro de bonecos e montaram “Tem gato no telhado”, adaptação de um texto de Martins Pena. Já em Santarém, as oficinas foram ministradas por Adriano Barroso que tem larga experiência no teatro. Cerca de 35 pessoas com interesse em artes cênicas participaram do processo de montagem, entre elas, atores, técnicos e produtores. Tivemos alguns casos curiosos, como o de uma moça que se inscreveu para participar da construção do figurino e acabou trabalhando como atriz em Igarapé-Açu. Em Santarém foi montado uma versão de “Macbeth”, de Shakespeare, com um resultado maravilhoso. Até hoje os artistas envolvidos apresentam a peça e estão atuando em outros e4spetáculos. Tanto esta como a peça de Igarapé-Açu foram apresentadas no na primeira edição do Festival Brasileiro de Artes Cênicas, em novembro do ano passado.

 

Quais serão os municípios atendidos em 2009?

 

      Para 2009, a previsão é de mais dois municípios atendidos no primeiro semestre e outros dois no segundo. Moju teve o lançamento do projeto no dia 06 de março, sexta-feira, no auditório municipal.  O diretor convidado para ministrar as oficinas é Geraldo Sales, sendo que a escolha foi feita a partir de uma solicitação da categoria artística do município, que deseja estimular a divulgação do mitológico amazônico e valorizar a regionalização nos espetáculos.  Salinas é o outro município a ser atendido ainda neste semestre.

 

Você citou ainda o Festival Brasileiro de Artes Cênicas. Como é esse projeto?

 

O festival pretende estabelecer a formação de público, já que proporcionou acesso gratuito aos espetáculos convidados, além de servir de vitrine de uma parte da produção contemporânea brasileira no teatro e na dança. O festival é uma chance de a população apreciar grandes nomes do teatro nacional e é também uma forma de democratizar as artes cênicas no Estado. Queremos abrir as portas dos teatros, como o da Paz e o Waldemar Henrique, para pessoas que nunca pisaram nesses espaços. O festival também utilizou espaços populares para as intervenções artísticas, como o mercado do Ver-o-Peso, que recebeu a apresentação do coletivo Movasse de Dança, de Minas Gerais. O festival ganha novo formato este anos como resultado de uma mudança de pensamento e atitude, pois todo o processo de construção do festival foi debatido com as categorias de teatro e dança, que definiram o formato do evento. 

 

E como foi a experiência da primeira edição do festival, em 2008?

 

Tivemos espetáculos consagrados nacionalmente como: “A alma imoral”, de Clarice Niskier (RJ), “Tome sua poltrona", do Circo Rebote (DF), “Shi-zen, sete cuias”, do Grupo Lume (SP), “Jardim de Tântalo", da Cia Borelli de Dança (SP). "Angu de sangue" do Coletivo Angu de Teatro, do Recife (PE) e Grupo Spanka com "Por Elise", de Minas,, entre outras atrações que foram sucesso de público. Além disso, o festival contou com grupos dos municípios paraenses que participaram do projeto Cena interior, como eu disse anteriormente. Atores de Santarém apresentaram “Macbeth”, de Shakespeare, e Igarapé-Açu, trouxe o espetáculo "Tem Gato no Telhado", baseado na obra de Martins Pena.

 

O que o público pode esperar do festival este ano?

 

       Para a segunda edição do festival, um novo formato foi pensado e discutido pelo meio artístico, junto a Secult. Haverá inscrições para espetáculos locais e nacionais que serão analisadas por uma comissão curadora. A previsão é que o festival também ocorra de 4 a 16 de novembro com a participação de 20 grupos de teatro e dança, sendo 10 nacionais e 10 locais.

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