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Temporada de concertos do festival de ópera começa no dia 5

Eliane vem a Belém pela quarta vez. A foto registra sua interpretação na peça Turandot, de Giacómo Puccini, em 2016.

 

A ópera La Voix Humaine (A voz humana), do compositor e pianista Francis Poulanc, abrirá o XIX Festival de Ópera do Theatro da Paz, no sábado, dia 5, iniciando a temporada de concertos Culturais.

A temporada deste ano inclui espetáculos de canto lírico, récita com música de Giovanni Pergolesi, a ópera Don Giovanni, de Wolfgang Mozart e o concerto de encerramento a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e com o coral lírico do Festival de Ópera, que pela primeira vez serão regidos por uma mulher, a maestrina Cibele Donza, que divide a regência desse espetáculo com o maestro Agostinho Júnior.

O libreto da ópera de “A voz humana” é baseado na obra homônima, do poeta, dramaturgo, diretor de teatro, pintor, ator, escultor e cineasta Jean Cocteau – um homem de muitos ofícios e talento - e será interpretada pela soprano Elaine Coelho, que faz uma carreira brilhante no exterior  Ela é carioca, formada pela na Escola Superior de Música e Teatro de Hannover, na Alemanha. Atuou na Ópera de Frankfurt até 1991 e integrou a Ópera de Viena.

A soprano Eliane Coelho interpretará uma mulher que sofre as angústias do abandono e que na última conversa, por telefone, com o amante que rompe o romance com ela, pois irá se casar com outra mulher, revela toda essa angústia do abandono. O monólogo de Cocteau já foi levado ao palco por grandes cantoras, e grandes atrizes no teatro e no cinema, como Simone Signoret, Ingrid Bergman e Liv Ulmann e gerou um dos clássicos filmes italianos sob a direção de Roberto Rosselini, que criou a cena do desespero e solidão da mulher desprezada com a magistral Anna Magnani.

         Na ópera “A voz humana”, Eliane Coelho encarna a soprano e a atriz para tocar a plateia com um drama atemporal e diz que sua ideia é “explorar ao máximo o personagem, em toda a variação de sentimentos, e comunicar, tentar deixar o público viver comigo estes momentos. E isto é algo que eu tento em qualquer personagem. Porque o que me interessa, é o ser humano, em toda sua complexidade”.

          A peça, de um ato, ao longo de sua trajetória no tempo e nos espaços onde foi apresentada, provoca emoções variadas a quem a assiste e, na visão de Eliane Coelho, faz parte da natureza do espetáculo lírico, como ela descreve: “As óperas, na maior parte, exploram situações emocionais, não é? E como os personagens, seres humanos, reagem nas situações. Na La Voix Humaine não é diferente! É a trajetória do personagem que eu quero mostrar. E é o que toda ópera e peça de teatro faz: explorar o humano. E cada pessoa no público vai tirar suas próprias conclusões, vai viver os momentos de acordo com suas próprias experiências e conceitos de vida”.

         A ópera de Poulenc foi escrita em 1957, é conhecida internacionalmente e já foi encenada no Brasil, mas em Belém poderá ser vista no Theatro da Paz pela primeira vez, quebrando uma tradição de grandes óperas que já passaram por aqui. Gilberto Chaves, coordenador do festival, diz que encenar “A Voz Humana” é uma forma de trazer uma produção contemporânea. “A peça, um monólogo, já tem sessenta anos, mas está mais próxima do nosso tempo. É algo novo em relação ao que vínhamos programando no festival desde a sua criação, há dezesseis anos, que nas primeiras temporadas trabalhava um conceito de formação de plateias e de profissionais. A peça de Poulanc representa a arte moderna e atende à diversificação que pensamos para este festival”.

          Gilberto Chaves destaca ainda a atuação da orquestra, que dá uma nova linguagem musical para a récita, pois não é coadjuvante do espetáculo e cria nuances no monólogo de quase uma hora. Originalmente, a peça foi concebida para voz e piano. A OSTP, sob a regência do maestro Miguel Campos Neto não abre mão da melodia como parte dessa contemporaneidade que permeia o espetáculo.

         No dia 15de agosto será realizado o concerto Lírico, com a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob a regência do maestro Miguel Campos Neto. O concerto será divido em duas partes. Na primeira, as músicas serão cantadas por solistas paraenses, e na segunda, as interpretações serão da mezzo-soprano paulista Ana Lúcia Benedetti.

As nossas vozes – Nessa linha do tempo e das temporadas de concertos no Theatro da Paz, é visível os resultados para o universo da música lírica e um deles foram os ganhos dos artistas paraenses, como diz Gilberto Chaves, ao falar da segunda ópera, Don Giovanni, de Wolfgang Amadeus Mozart. “É uma peça para um grande elenco e é importante termos, quatro paraenses entre os oito solistas dessa ópera”. Essa temporada de concertos quebrou a barreira de, até então, os cantores paraenses representarem os segundos papéis em cena. Eles amadureceram como artistas.

                Mozart criou esta obra-prima da história das óperas, o espetáculo é encenado em dois atos e conta as aventuras amorosas de Don Giovanni, inspirado no personagem Don Juan Tenório. A ópera estrou em Praga há 220 anos, reafirmando a genialidade de Mozart que criou essa peça em parceria com o libretista Lorenzo da Ponte, que por sua vez se inspirou em seu amigo Giacomo Casanova, um dos maiores sedutores da história, para descrever o personagem título de seu libreto.

         Don Giovanni será apresentada no Theatro da Paz nos dias 15, 17 e 19 de setembro, sob a direção musical e regência do maestro Silvio Viegas e direção cênica de Mauro Wrona.

                O concerto de encerramento, ao ar livre, será no dia 23 de setembro, com o Coral Lírico do Festival de Ópera do Theatro da Paz, que tem como regente preparador o maestro Vanildo Monteiro; e com a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, regida pela maestrina Cibele Donza e o maestro Agostinho Júnior e Cibele Donza. O concerto terá a participação de oito solistas. A direção do espetáculo é de Gilberto Chaves e Mauro Wrona.

         Outro circuito– Os sofrimentos de Maria aos pés da cruz são narrados no Stabat Mater, de Giovanni Battista Pergolesi, compositor, organista e violinista italiano de óperas e música sacra do século dezoito. A peça será apresentada na Igreja de Santo Alexandre pela Orquestra de Cordas do Theatro da Paz, sob a regência do maestro Miguel Campos Neto e cantada pelo dueto formado pela mezzo-soprano Ana Lúcia Benedetti e pela soprano Luciana Tavares. A música é cantada em latim com tradução para o português, exibida em um telão.

         Todos os espetáculos da temporada começarão às 20 horas.

         Serviço – Os ingressos para o XVI Festival de Ópera do Theatro da Paz, promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de  Cultura (Secult) serão vendidos a partir do dia 3 de agosto, na bilheteria ou através deste site 

 Foto: Elza Lima