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Plateia ovaciona cantores e Orquestra do Theatro da Paz

A cantora Ana Lúcia Benedetti levou ao Theatro da Paz um dos momentos mais emocionantes do Concerto Lírico realizado na última terça-feira (15), a melhor tradução do espetáculo, que juntou cantores líricos de Belém no solo de Mon coeur s’ouvre a la voix, trecho da ópera Samson e Dalila, considerada a obra-prima do compositor francês Camille Saint-Saëns. A paixão de Dalila por Sansão abriu o coração da plateia para uma apresentação arrebatadora da mezzo-soprano paulista.

Ana Lúcia Benedetti entrou na segunda parte interpretando outros imortais da música erudita, como os compositores italianos Pietro Mascagni (Cavalleria Rusticana: voi lo sapete) e Giuseppi Verdi (Il Trovatore: stride la vampa). No intervalo, a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz executou Tosca: Intermezzo, de Giacomo Puccini, composição de passagem para o último número do espetáculo, com outra obra de Verdi, Don Carlo: O don fatale.

A grande surpresa para o público veio mesmo no final, e levantou a plateia no teatro lotado: Ana Lúcia Benedetti voltou ao palco e presenteou a todos com a ária Les tringles des Sistres Tantaient, da Ópera Carmen, do compositor francês Georges Bizet, que passeia por sortilégios da cigana Carmen, mulher cruel, engenhosa e volúvel, que por meio de danças e cantos seduz homens.

Personagens  intensos - Dalila e Carmen são mulheres intensas e cheias de nuances dramáticos, bem delineados por Ana Lúcia Benedetti. No camarim, ela falou sobre o espetáculo. “É a primeira vez que me apresento em Belém, e a recepção do público me deixou muito emocionada”, disse a cantora, ressaltando quanto esses personagens femininos, apaixonados, intensos “fazem o coração disparar”.

O idioma - francês ou italiano - materializou no canto as tramas, traições, sedução, alegria, paixões e amores que costuram as músicas compostas por mestres da ópera em mais de dois séculos. As árias cantadas ao longo desse tempo refletem “o comportamento que sempre foi inerente a uma pequena parcela do gênero humano”, frisou o diretor do Festival de Ópera do Theatro da Paz, Gilberto Chaves.

Prata da casa - A primeira parte do concerto, o segundo espetáculo do Festival neste ano, colocou em cena a prata da casa. Seis cantores líricos que atuam no Festival mostraram o excelente desempenho e o nível profissional a que chegaram em 16 anos de ópera. Um longo aprendizado, ao qual se somaram outras experiências desses artistas, que formaram duetos e fecharam essa apresentação em um quarteto que agitou a plateia com a música Bella figlia dell’ammore, da ópera Rigolleto, de Giuseppi Verdi. Desse número participaram Idaías Souto (barítono), Antônio Wilson (tenor), Kézia Andrade (soprano) e Aliane Sousa (mezzo-soprano).

A programação da noite foi aberta pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz executando a abertura da peça de Gioachino Rossini, La Cenerentola (Cinderela), com regência do maestro Miguel Campos Neto. A abertura levou ao público do Theatro da Paz a atmosfera do conto de fadas escrito pelo francês Charles Perrault. Esta ópera encanta gerações há 200 anos, desde sua estreia, em Roma, e é umas mais encenadas pelas grandes companhias do mundo.

Duetos - Depois de elevarem o termômetro da plateia, os artistas começaram os duetos. A primeira ária foi cantada pelo duo formado pela soprano Luciana Sampaio e pelo tenor Antônio Wilson – Madame Butterfly: Bimba dagli ochhi. Antônio Wilson deixou a arquitetura pelo canto lírico há mais de 20 anos, e garante que se “encontrou na arte e no canto, pois desde criança escutava música erudita”.

O segundo dueto foi formado pela soprano Lanna Bastos e a mezzo-soprano Aliane Sousa, que apresentaram La Gioconda: E um anátemna, de Amilcare Ponchielli. Mais que um dueto, as duas cantoras paraenses travaram um verdadeiro duelo entre as duas principais personagens da peça. E fizeram um grande final nesse encontro de vozes.

O compositor francês Jules Massenet serviu ao duo formado pelo barítono Idaías Souto e a soprano Kézia Andrade. Eles cantaram a ária C’est toi, mon père, da ópera Thaís, que narra o amor trágico de um monge com uma cortesã. O libreto é baseado na obra homônima do escritor Anatole France.

Plateia de pé - O final da primeira parte fechou com muito entusiasmo da plateia, que se levantou para saudar os artistas paraenses. O maestro Miguel Campos Neto disse ter ficado muito feliz com esse acolhimento, que mostra o Festival de Ópera como “um evento que tem uma plateia constante, e que continua formando novo público”.

O próximo concerto do XVI Festival de Ópera, promovido pelo governo do Estado por meio da Secretaria de Cultura (Secult), será na Igreja de Santo Alexandre, que integra o Complexo Feliz Lusitânia, no Bairro da Cidade Velha, na próxima sexta-feira (18), quando o naipe de cordas da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz executará as peças sacras de Giovanni Pergolesi, com a mezzo-soprano Ana Lúcia Benedetti e a soprano brasiliense Luciana Tavares, radicada em Belém há 10 anos.

Por Ronald Junqueiro

Foto Elza Lima