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Cultura e arte para celebrar Belém

Espetáculo Cabanos - Grupo Encenação

 

Os 184 anos da Cabanagem (1835-1840), revolta popular ocorrida no Pará durante o Império, e os 403 anos da fundação de Belém, celebrados neste dia 12 de janeiro, estão sendo comemorados pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult) com a programação “Belém Cabana”. Inaugurada no último dia 7, pelo governador Helder Barbalho, com uma iluminação especial no Memorial da Cabanagem, a programação segue nos dias 11 e 12, com diversas atrações nos espaços culturais da capital gerenciados pela Secult, sempre com entrada franca. E no dia 13, os museus funcionarão em horário especial, das 9h às 17h.

Abrindo a programação cultural nesta sexta-feira, dia 11, a partir de 19h, será realizado o “Sarau da Cabanagem”, no Mercado de São Brás, com um coletivo de mulheres artistas unidas pela poesia: Shaira Mana Josy, Francine, Carol Filha de Vênus, Ananindeusa, Ana Silva (Dra. Poesia) e Grupo Amaná, formado por Eluê, Luna e Lazuli. As artistas têm carreiras individuais e também participam de uma rede feminina que fortalece a cena artística. Elas apresentarão um trabalho voltado para a importância da mulher na Cabanagem. Para as artistas, a abertura da programação no Mercado de São Brás tem forte significado simbólico, pois é um ponto de encontro e fortalecimento dos movimentos culturais que começam a ser valorizados pela nova gestão.

No mesmo dia, no hall do Theatro da Paz, a partir de 19h30, haverá o relançamento do livro “Cabanagem – Poema” e do CD “Cabanagem – O Musical”, do professor, médico e poeta Valdecir Palhares. O projeto, que tem produção artística dos músicos Jacinto Kahwage e Luiz Pardal, reúne os intérpretes Allan Carvalho, Nanna Reis e Rogério Brito. O livro de poesias autorais foi ilustrado por Biratan Porto.

Logo em seguida, às 20h, no palco do teatro, entra em cena o coro infantojuvenil Vale Música, formado por 130 crianças e adolescentes, regido por Eliane Fonseca e acompanhado pelo pianista Ediel Souza. No repertório, composições regionais, nacionais e internacionais, como “Uirapuru”, de Waldemar Henrique, e “Depende de nós”, de Ivan Lins.

A última atração da noite é o espetáculo “Cabanos: Uma Viagem no Tempo”, do grupo de teatro Encenação Cultural do Pará. A peça interpreta os fatos históricos com trechos de ficção romancista, tendo como personagens principais Miguel Aranha e senhorinha Elizabeth, filha do governador Lobo de Souza, além de prestar uma homenagem ao escritor paraense Marco Antônio de Oliveira, com um pequeno trecho da obra “A Ameaça”. O espetáculo tem classificação indicativa de 14 anos.

 

Contação de histórias

No sábado, dia 12, aniversário de Belém, a programação começa às 9h30, no Teatro Gasômetro, do Parque da Residência, com apresentação de cortejo afro, Cordão de Pássaro Colibri, Escola de Samba Império Pedreirense, Companhia de Teatro Madalenas e In Bust Teatro com Bonecos.

Às 10h40, na área externa, o grupo Madalenas entra em cena com o espetáculo “La Fábula”, um mergulho no universo mágico dos contos da literatura universal, encenados com a linguagem do teatro de rua. Os personagens são figuras conhecidas mundialmente, como Dom Quixote e sua ingenuidade, Homem de Lata e seu coração generoso e a Rainha Altiva, que se alimenta de histórias e terá sua fome aplacada por três súditos. Com direção coletiva, dramaturgia de Ester Sá e coordenação geral de Leonel Ferreira, o espetáculo é um convite a um reino mágico e onírico, que estimula a reflexão sobre a importância da contação de histórias.

Uma fazenda no Marajó é o ponto de partida do espetáculo “O Conto Que Eu Vim Contar”, da In Bust Teatro com Bonecos, que será apresentado a partir de 11h40, no palco do Gasômetro. Seu Bastião, um homem muito brabo, é o dono desse lugar. Ele tem uma filha linda, Hosana, que vive presa em casa desde que sua mãe se foi. O local é banhado por um rio cheio de segredos, onde vivem muitas criaturas, inclusive o Boto. Com texto de Adriana Cruz, inspirado em “Um Conto de Natal”, de David Matos, o espetáculo traz bonecos confeccionados com patchouli e manipulados pelos atores Adriana Cruz, Paulo Ricardo Nascimento e Lucas Alberto. Direção, cenários e bonecos de Aníbal Pacha.

No Museu do Estado do Pará (MEP), a partir de 9h, além da exposição “Saramago”, que permanece até 17 de fevereiro, haverá uma “Imersão Cabana”, com visita educativa ao acervo e projeção do curta “Cabanagem”, cedido pela Funtelpa, no salão transversal. A partir de 19h, na área externa, video mapping temático com os VJs Lobo e Luan, e intervenção cênica “A(Mor)daça”, de Lo Ojuara, baseada em pesquisas sobre a escravidão e a resistência negra durante esse período histórico, seguida pela atriz Ester Sá, com a performance narrativa “Começa Muito Antes de Começar - Uma Voz sobre a Cabanagem”, que percorre os acontecimentos históricos pelo viés da ancestralidade.

Cobra Venenosa

Cortejo e batuque

Músicos, dançarinos, artistas circenses e brincantes dão vida ao Batalhão da Estrela, que fará um cortejo saindo do Museu do Estado do Pará (MEP) em direção ao palco na Casa das Onze Janelas. A comunidade foi criada há mais de 20 anos e se consolida a partir dos processos de formação de brincantes do Instituto Arraial do Pavulagem. O nome “Batalhão da Estrela de São João” é uma homenagem à estrela azul de São João Batista que brilha no céu junino. No Píer das Onze Janelas, a programação continua ao som dos batuques Vozes de Fulô e Cobra Venenosa.

Um encontro festivo entre carimbó, samba de cacete, lundu, boi-bumbá, coco, cirandas e cantos sagrados tradicionais resulta na sonoridade do Vozes de Fulô, que nasceu da identificação rítmica das raízes africanas, indígenas e caboclas. “Acreditamos que o tambor é uma linguagem ancestral, ferramenta de grande força de comunicação e preservação da identidade ancestral do amazônida”, diz o grupo, formado em 2014. O trabalho reúne linguagens artísticas como poesia, performance e dança. A formação atual traz Maiara Almeida (vocal e pandeiro), Vanessa Borges (vocal e ganzá), Maykon Ubiraji (vocal e percussão) e Cinara Moraes (percussão).

Criado em 2016, no Distrito de Icoaraci, o grupo Cobra Venenosa traz uma proposta ousada, que agrega batuque feminista, carimbó marginal e poesia negra da Amazônia. Os músicos e compositores Priscila Duque e Hugo Caetano têm atuado com diversos parceiros musicais para ocupar palcos, ruas, praças, calçadas, transportes coletivos, atos políticos, saraus e batuques. “Cobra Venenosa é música para romper engrenagens e sonhar o novo tempo, no qual a vida, o amor e a liberdade não sejam luta, sejam realidade”, dizem os artistas. O primeiro álbum do grupo, “Manda quem tem mais bala, desobedece quem tem tambor” tem previsão de lançamento para o primeiro semestre deste ano.

              

Memória

Com a programação “Belém Cabana”, o Governo do Estado pretende reforçar a importância da valorização da memória e da história do Pará. Ursula Vidal, secretária de Estado de Cultura, observa que o Memorial da Cabanagem há muito anos deixou de fazer parte do cotidiano da cidade, como uma referencia arquitetônica importante de um dos períodos mais marcantes da história do Estado.       

“A Cabanagem foi um movimento que teve como característica a luta pela participação popular nas construções e decisões políticas. A programação marca a valorização do nosso patrimônio histórico e arquitetônico, dos nossos movimentos da cultura popular, além deste tempo novo que estamos inaugurando na Secult, com portas abertas, construção coletiva e fortalecimento dos instrumentos democráticos de gestão”, diz ela.

SERVIÇO: Programação “Belém Cabana”, em comemoração ao Movimento da Cabanagem e aos 403 anos de Belém. Dias 11 e 12, no Mercado de São Braz, Theatro da Paz, Teatro Gasômetro, Museu do Estado do Pará e Cidade Velha. Entrada franca para todas as atrações. Para a programação no Theatro da Paz, retirada de ingressos no site www.ticketfacil.com.br. Nos dias 12 e 13, Museu do Círio, Museu do Presépio, Museu de Arte Sacra e MEP funcionarão em horário especial, de 9h às 17h. Realização: Governo do Estado do Pará por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult).