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Maurício Leite prepara voluntários que serão promotores de leitura

 

O Teatro Estação Gasômetro, no Parque na Residência, recebeu durante três dias, professores e estudantes universitários que irão participar do projeto Bolsa de Leitura, na 22ª. Feira Pan-Amazônica do Livro. Os grupos estavam numa ação de treinamento feita por Maurício Leite, promotor de leitura e criador do projeto. Foram ofertadas 100 vagas para professores e estudantes que atuarão como voluntários no evento. Essa dinâmica começou no dia 21, com um grupo de professores da rede estadual de ensino e nos dois dias seguintes para os universitários que foram orientados em metodologias adequadas às necessidades referentes à promoção da leitura, comportamento e indicações de literatura, em uma feira de livros.

Essa é a quarta vez que o projeto integra a programação da Feira Pan-Amazônica do Livro. Os voluntários irão trabalhar todos os dias da feira em horários livres, com direito a certificado no final. Eles receberão de 4 a 5 livros para apresentarem aos visitantes. Serão literaturas infantis leves e dinâmicas que prometem prender a atenção de quem estiver passando por lá.

Nos encontros com os voluntários, Maurício trouxe livros comprados em outros estados e que estarão disponíveis na Feira Pan-Amazônica do livro e afirma “Não existe literatura infantil, isso são apenas ‘tags’ inventadas”, dando a ilusão que livros infantis podem e devem ser lidos por adultos. Ao iniciar a palestra, Maurício Leite usa uma dinâmica de apresentação dos livros, lendo e demonstrando boas histórias e explica que 50% do sucesso desse trabalho é a escolha do livro e afirma que “a leitura é uma sede que a pessoa tem e às vezes nem sabe que tem”. Ele usa uma metodologia descontraída e leve, realiza bate papos, roda de conversas, estimulando interações dos participantes por meio do canto e dança, que são formas usadas para deixar a todos mais confortáveis.

 Maurício Leite é promotor de leitura e arte, educador brasileiro, nasceu em Cassilândia, município de Mato Grosso do Sul, onde cursou magistério e depois teatro no Rio de Janeiro. Começou a contar histórias em aldeias indígenas na ilha do Bananal, atual estado de Tocantins. É um dos idealizadores do projeto "Bolsa de Leituras", apoiado pela UNICEF e pela Universidade Solidária de Brasília, que estabeleceu um método eficiente de formação de leitores.

O trabalho desenvolvido por Maurício Leite é reconhecido no Brasil e no exterior por organizações governamentais e não governamentais como, a UNICEF, ASHOKA, Universidade Solidária de Brasília, Escola Arvense de Brasília, Universidade de Nova York, Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, Biblioteca de Tábua e Câmara Municipal de Tavira. Foi o único brasileiro indicado ao prêmio Astrid Lindgren Memorial (Alma) 2012, do Conselho Sueco das Artes, o mais elevado prêmio internacional de literatura infantil. Atualmente mora em Portugal.

 O pedagogo Élio Souza, 30 anos, formado pelo o Instituto Federal do Pará – IFPA, já fez parte do projeto e hoje atua como coordenador. Para ele a participação no projeto é maravilhosa, desde sua primeira vez que participou como viu o valor que a ação representa e diz que “ler e poder compartilhar com as crianças e pessoas de varias idades é uma vivência única”. O projeto além de servir como experiência acadêmica também ajudou na superação da timidez, a prática de conversa e contação de histórias fez superar isso que era um tabu. Élio atribui muitos valores além da literatura que explica ao afirmar “que a única forma de mudar o mundo é a educação, e que a literatura é um dos primórdios disso”.

 O estudante de Letras da IFPA, Adalberto Gonzaga de 20 anos, participará pela segunda vez desta ação e conta que foi uma ótima experiência que decidiu reviver por todo o aprendizado que atribuiu à oportunidade de se voluntariar ao projeto. Fã do educador Maurício Leite, o estudante afirma que a “releitura é uma leitura nova, assim como cada leitura nova também é uma releitura, é por isso que eu voltei aqui, para poder trazer e fazer parte dessas novas experiências”.

 O Bolsa de Leitura é um projeto indiscutivelmente positivo na Feira Pan-Amazônica do Livro e tem como ideia fazer as pessoas lerem na feira, além de comprar e participar das programações oferecidas. Fagner Monteiro, gestor cultural da Secult contou que s livros são escolhidos a dedo, que funcionam por terem uma leitura prazerosa e curta, e que podem ser facilmente apresentados. O projeto chama universidades para participar e estudantes de qualquer curso pode se inscrever e, geralmente, a participação é maior dos alunos dos cursos de Pedagogia, Letras e Arte.

 

Por Camila Correia

Fotos Elza Lima