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Estado assina ordem de serviço para reconstrução do Museu do Marajó

As obras iniciam na próxima segunda-feira (25) e têm previsão de serem entregues em seis meses
Por Josie Soeiro (SECULT)
21/01/2021 11h16 - Atualizada em em 04/02/2021 11h32

A reconstrução do Museu do Marajó é um dos grandes compromissos do Governo do Pará, desde o início da atual gestão, com a preservação, valorização da cultura marajoara e o desenvolvimento turístico e econômico da região. Na manhã de quinta-feira (21), o projeto idealizado pelo padre Giovanni Gallo começou a ser concretizado. O Estado, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), assinou a ordem de serviço para iniciar obras do espaço museológico.

Ato de assinatura ocorreu no ginásio poliesportivo Manoel Xavier Barbosa, em Cachoeira do Arari

O ato ocorreu no ginásio poliesportivo Manoel Xavier Barbosa, em Cachoeira do Arari, e contou com a presença da secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal; do prefeito de Cachoeira do Arari, Antônio Athar; do secretário regional de Desenvolvimento do Marajó, Jaime Barbosa; além de secretários municipais e representantes da empresa vencedora.

“O Museu pensado, estruturado e cuidado pelo padre Giovanni Gallo é referência para o mundo todo, não só na história e na arqueologia desse território. Temos ainda a inventividade do fundador que criou uma série de equipamentos de interação desse público com a história da língua marajoara, com a história da etnografia desse lugar, dos povos que habitam essa região. Então, por toda a riqueza e diversidade desse acervo, digo que esse museu tem uma importância planetária. E nós, que habitamos a região amazônica, e todos os marajoaras, temos a obrigação de sermos protagonistas da nossa história, para que o modelo de desenvolvimento para essa região seja pensado por quem vive na região, a partir de suas necessidades, como fizemos aqui os processos de escuta antes de apresentar um projeto”, destacou a secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal.

Atualmente, o Museu do Marajó está sob gestão do Estado, por meio da Secult

“Fico muito feliz em participar desse evento tão importante para o nosso município. Eu sempre digo que o Museu do Marajó tem em sua história três grandes momentos: o primeiro quando foi idealizado pelo padre Giovanni Gallo, o segundo quando se instalou aqui no município e o terceiro agora, nessa solenidade que marca o início da revitalização. Isso transmite pra nós uma expectativa muito grande em relação ao futuro. O Museu, como foi pensado pelo Giovanni Gallo, tinha que ser a maior ferramenta de desenvolvimento do nosso Marajó e agora, com as ações do governo do Estado, isso se transforma em realidade para que daqui a pouco possamos entregar o nosso Museu”, destaca Jaime Barbosa.

O espaço está fechado pelo Corpo de Bombeiros desde o final de 2018, por conta do comprometimento estrutural. Em 2019, o governador Helder Barbalho firmou parceria com a prefeitura municipal e a presidência do Museu do Marajó, para viabilizar a adequação e recuperação do imóvel que abriga a instituição, por meio da assinatura do termo de comodato, que transferiu a gestão do espaço para o Governo do Pará, por meio da Secult, pelo período de 36 meses. Em agosto do ano passado, técnicos da Secretaria aprovaram junto à comunidade a versão final do projeto arquitetônico, assinado pelo Departamento de Projetos da Secult, que faz um diálogo entre a tradição e a contemporaneidade, ao mesmo tempo em que segue os padrões de legalização museais do Sistema Integrado de Museus e Memórias (SIMM/Secult).

Para o atual presidente do Museu do Marajó, Jorge Portal, que faz parte da diretoria do Museu há mais de 10 anos, o ato de assinatura é visto como uma nova esperança. “Estamos com uma expectativa, uma esperança ímpar nesse novo momento. Como presidente, me sinto muito feliz, e acho que esse é o sentimento de toda a comunidade, não só de Cachoeira do Arari, como do arquipélago todo que certamente será beneficiado”, afirmou.

“Para nós, cachoeirenses, a reforma é um sonho prestes a ser realizado. É um passo muito importante. O nosso Museu é um cartão postal e acredito que o benefício não é para uma ou duas pessoas, mas o município todo ganha. Somos o único no arquipélago a ter um monumento como esse, então só temos a agradecer ao investimento e parceria do Estado e aguardar para ver esse sonho se concretizar”, afirma Alcione Cardoso, presidente da Câmara Municipal.

A reconstrução, orçada em R$ 2.995.673,60, prevê intervenção na fundação, cobertura, reestruturação da reserva técnica, troca da pintura e do mobiliário e ampliação do espaço museal. A iniciativa inclui ainda intervenções estruturais em outros equipamentos da área de 1.200 metros quadrados do Museu, como a casa e o túmulo com restos mortais do padre Giovanni Gallo, fundador do museu. De acordo com os representantes da empresa responsável pela obra, os serviços iniciam na próxima segunda-feira (25) e devem durar seis meses.

Formação continuada

Além do investimento estrutural, o governo do Estado também investe na formação e capacitação local. Desde que a Secult assumiu a gestão compartilhada do espaço, por meio de seu Sistema Integrado de Museus e Memórias (SIMM), foram ofertadas capacitações de agentes da própria comunidade para fazer a seleção e catalogação do rico acervo do museu.

Durante o ato de assinatura, a secretária Ursula Vidal anunciou a abertura da oficina “Preservação e conservação de coleções museológicas”, em parceria com a prefeitura local. Serão ofertadas cinco bolsas de R$ 700 para a formação continuada ao longo de um ano.