A programação do Preamar Cabano teve início na última quarta-feira (7) com uma roda de conversa no Museu do Estado do Pará (MEP) em Belém, promovida pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (Secult). O debate foi conduzido pela professora doutora Magda Ricci e por Danielle Souza, com a mediação da professora doutora Dayseane Ferraz. Marcando o começo de uma agenda cultural gratuita que valoriza a memória histórica da capital paraense, com reflexões sobre resistência, identidade e movimentos populares que marcaram a Amazônia, como a Cabanagem.
Durante a mesa, foram abordados levantes populares ocorridos no Grão- Pará desde a resistência indígena tupinambá até a revolta da cabanagem, contextualizando a luta da população amazônica por direitos e melhores condições de vida.
A mediadora do debate, a pesquisadora do Sistema Integrado de Museus e professora doutora Dayseane Ferraz, ressaltou a importância de espaços como esse para ampliar a compreensão sobre os processos históricos de resistência na Amazônia e destacou que a proposta é fazer com que o público saia do encontro com um sentimento de pertencimento e identidade, a partir do reconhecimento da própria história.
“O legado de uma mesa como essa, é o elo de pertencimento da sociedade, do público, com a sua história e com a sua memória. As falas que foram feitas aqui no campo da história, no campo da arqueologia, da linguística, etnografia, antropologia, elas trouxeram falas de construção e preservação da memória. Cada ação nossa dentro do museu, dentro da política pública de cultura que reata esse elo de pertencimento com a sociedade, a instituição está cumprindo a sua função social. Então eu penso que seja estudante, pesquisador, visitante que passou aqui pelo museu e que escutou a mesa redonda, participou da discussão, leva para casa um pouco mais do conhecimento sobre sua história, sobre sua memória e sai com a sua identidade fortalecida”, diz Dayseane.
A professora Magda Ricci comenta sobre o papel do historiador na sociedade e como a essência da profissão pode ser abordada no encontro desta manhã. “Eu entendendo as necessidades do presente e a Danielle falando das demandas pelo passado, essa troca é fundamental para os povos do presente e pra gente aperfeiçoar o nosso olhar, porque toda vez que um historiador olha pro passado, ele não pode ter um olhar morto. Ele tem que ter o olhar de quem vive o presente e do presente enxerga esse passado, as demandas do presente que indagam aquele documento do passado. Então, consegue ele próprio ser um mediador desses saberes, isso é muito bonito, e essa magia aconteceu hoje aqui, estou muito feliz por participar deste evento”, conta Ricci.
O filósofo e professor de dança, Marcos Campos assistiu a mesa e contribuiu com uma pergunta ao final. “A iniciativa é muito importante porque a memória é a base das nossas ações, a nossa ação vai acontecer de qualquer jeito, mas se a memória não tem continuidade a gente fica sem orientação. Iniciativas como essa são fundamentais pra gente se reorganizar, se orientar no mundo”, afirma Marcos.
Confira aqui a programação completa do Preamar.